"Essa raça" errou. Seus opositores, mais ainda

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Felipe Corazza | 08/01/2007


O primeiro lugar na lista de “pecados capitais” atribuídos ao PT, especialmente nos últimos 15 anos do partido, já foi ocupado por diversos clichês. Do “radicalismo” petista, passando pelo “estelionato eleitoral” e chegando aos “petralhas” de hoje, já foram diversas as razões para se manter “essa raça” longe do poder.

 

As forças internas do partido raramente foram objetos de análise – e a raridade das exceções, nesse caso, não as faz necessariamente honrosas – de quem tentou manter o PT longe da botija.

 

Pois um grande caminho teria sido, para os conservadores em geral, construir o castelo da oposição sobre esse alicerce. Observar e explorar as fragilidades e as incongruências que surgiram entre os petistas nos últimos anos teria sido muito mais eficaz do que lançar mão de frases feitas e termos vagos.

 

Quem o fez? Muito pouca gente, e de forma ingênua (ingênua?). Roberto Freire, há muito, berra em cantos isolados. E, quando teve a chance de colocar seu PPS como alternativa de esquerda, não o fez. Quando poderia chamar os insatisfeitos para si, preferiu entrar na grita histérica de PSDB e PFL contra Lula. Uma pena, já que tem objetivos e idéias claramente diferentes de Tasso Jereissati, Fernando Henrique Cardoso, Jorge Bornhausen e outros democratas natos.

 

O PSTU – que a USP o tenha – carece de uma edição especial comentada de “Esquerdismo, doença infantil do comunismo”. 

 

Mais recentemente, o PSOL pareceu uma solução interessante para a “crise” que afetou “essa raça”. Não deu. Um partido que se quer de esquerda e despreza as análises de Plínio de Arruda Sampaio para favorecer o oportunismo de Heloísa Helena não pode vislumbrar caminho.

 

O PT tem pecados. Muitos. O Campo Majoritário sabe que não vai passar pouco tempo no confessionário, caso um dia dele se aproxime. Mas isso não foi explorado por quem quer se ver livre dessa “raça” por 30 anos. E, pior, não foi discutido por quem faz parte dessa “raça”.

 

Assim, aí temos o PT atual. Com muita gente boa levando paulada, no mesmo balaio de gente muito ruim. Aliás, por falar em paulada, estou sendo injusto. No comício da vitória de 2002, quem estava atrás da faixa de uma das correntes do partido levou foi uma chuva de pedras mesmo. E, até onde me lembro, não havia ninguém da oposição ali pra atirar a primeira.

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